Quanto de entrada dar em um financiamento imobiliario: tabela por faixa de renda

Guia pratico para decidir o valor da entrada no financiamento imobiliario: relacao entrada-parcela, tabela por faixa de renda, uso do FGTS e quando vale dar mais ou menos.

O valor da entrada e uma das decisoes mais importantes de todo o processo de compra de imovel financiado. Ele afeta diretamente a parcela mensal, o prazo possivel, a taxa de juros oferecida e o custo total da operacao. Este guia mostra como calcular uma entrada adequada para o seu perfil, traz uma tabela de referencia por faixa de renda e explica os casos em que vale a pena dar mais ou menos do que o minimo exigido pelo banco.

O que a regulacao exige como entrada minima

Nao existe um percentual unico definido por lei. O que a Resolucao CMN 4.676/2018 estabelece sao limites maximos de financiamento dentro do Sistema Financeiro de Habitacao (SFH). Na pratica:

  • SAC (tabela de amortizacao decrescente): ate 80% do valor do imovel financiado, exigindo portanto entrada minima de 20%.
  • Price (tabela de prestacoes fixas): ate 70% financiado, entrada de 30% no minimo.
  • Minha Casa Minha Vida: ate 80% financiado, mas com subsidio federal para famílias dentro das faixas elegiveis. Veja o guia MCMV 2026.
  • Sistema Financeiro Imobiliario (SFI): chega a 90% financiado em alguns bancos, mas com taxas maiores. Entenda as diferencas em SFH vs SFI: qual escolher em 2026.

Esses sao os pisos legais. Cada banco ajusta as regras conforme o perfil do cliente, a reserva hidrica do FGTS e o apetite de credito do momento. E comum encontrar exigencia de 25% a 30% de entrada na pratica, mesmo em contratos SFH-SAC teoricamente elegiveis a 20%.

Como a entrada altera a parcela e o custo total

A relacao e simples em numeros, mas pouca gente faz a conta. Imovel de R$ 500.000, 30 anos, taxa 9,5% ao ano, sistema SAC:

EntradaValor financiadoParcela inicialTotal pagoEconomia vs 20%
20% (R$ 100 mil)R$ 400.000R$ 4.260R$ 970.000-
25% (R$ 125 mil)R$ 375.000R$ 3.995R$ 910.000R$ 60 mil
30% (R$ 150 mil)R$ 350.000R$ 3.730R$ 850.000R$ 120 mil
40% (R$ 200 mil)R$ 300.000R$ 3.195R$ 730.000R$ 240 mil
50% (R$ 250 mil)R$ 250.000R$ 2.660R$ 610.000R$ 360 mil

Dobrar a entrada (de 20% para 40%) pode reduzir o custo total em aproximadamente R$ 240 mil - mais do que a propria diferenca de entrada adicional investida (R$ 100 mil). Isso acontece porque o dinheiro extra elimina juros que seriam pagos por 30 anos.

Simule o seu caso especifico com a Calculadora SAC ou com o Comparador SAC vs Price.

A regra dos 30%: comprometimento de renda

Os bancos limitam a parcela do financiamento a aproximadamente 30% da renda bruta mensal comprovada. Essa regra existe para proteger o mutuario e esta incorporada nas normas do Banco Central. Se a parcela calculada com a entrada planejada ultrapassa esses 30%, o banco nega a operacao ou exige composicao de renda.

A conta pode ser invertida: dado um imovel que voce quer comprar, calcule a parcela maxima permitida (30% da sua renda) e, a partir dela, veja qual valor precisa dar de entrada para que o financiamento feche. Leia Renda minima para financiar imovel para entender como os bancos analisam esse calculo na pratica.

Tabela sugerida de entrada por faixa de renda

A tabela abaixo sugere valores de entrada equilibrados, assumindo imovel do tipo compativel com a faixa de renda, prazo de 30 anos e compromisso de parcela em 25% a 30% da renda bruta. Os valores sao orientativos e devem ser ajustados ao seu contexto (reserva de emergencia, outras dividas, estabilidade profissional).

Renda bruta familiarImovel recomendadoEntrada sugeridaParcela SAC inicial estimada
R$ 4.000 - R$ 5.000Ate R$ 250.000 (MCMV)R$ 20.000 - R$ 40.000 (mais subsidio)R$ 900 - R$ 1.300
R$ 5.000 - R$ 7.000R$ 250.000 - R$ 400.000R$ 50.000 - R$ 100.000 (20% a 25%)R$ 1.500 - R$ 2.100
R$ 7.000 - R$ 10.000R$ 400.000 - R$ 600.000R$ 100.000 - R$ 180.000 (25% a 30%)R$ 2.100 - R$ 3.000
R$ 10.000 - R$ 15.000R$ 600.000 - R$ 900.000R$ 180.000 - R$ 300.000 (30%)R$ 3.000 - R$ 4.500
R$ 15.000 - R$ 25.000R$ 900.000 - R$ 1.500.000R$ 300.000 - R$ 500.000 (30% a 35%)R$ 4.500 - R$ 7.500
Acima de R$ 25.000R$ 1.500.000+35% a 50% (SFI ou contrato composto)Variavel

As faixas mais baixas costumam contar com subsidios federais (MCMV) e taxas reduzidas para a parcela de recursos FGTS. Ja faixas mais altas enfrentam o teto do SFH (imoveis acima de R$ 1,5 milhao caem no SFI, onde a entrada tende a ser maior). Use a Calculadora de Capacidade de Financiamento para descobrir exatamente quanto voce pode financiar.

FGTS: a entrada que muitos esquecem

O saldo de FGTS pode ser usado como parte da entrada em financiamentos SFH - e essa regra e frequentemente subutilizada. Pessoas com mais de cinco anos de carteira assinada podem ter saldos que somam dezenas de milhares de reais, e o valor muitas vezes supera a reserva em conta-corrente.

Condicoes para usar FGTS na entrada:

  • Estar no regime SFH (nao SFI).
  • Ter ao menos tres anos de contribuicao (somados, mesmo em empregos distintos).
  • Nao ter outro imovel residencial no mesmo municipio ou regiao metropolitana.
  • Nao ter financiamento ativo em qualquer sistema habitacional do pais.

O fundo pode ser usado para complementar a entrada, abater parcelas a cada 12 meses ou quitar totalmente o contrato em etapa futura - tres cenarios distintos. Veja o detalhamento em Como usar FGTS no imovel.

Quando dar mais (ou menos) que o minimo

Vale a pena reforcar a entrada quando voce tem reserva de emergencia solida (6 a 12 meses de despesas), o dinheiro extra rende menos que a taxa do financiamento (9% a 11% ao ano raramente sao batidos por tesouro Selic ou CDB), pretende ficar no imovel por muitos anos e quer reduzir a parcela ou negociar taxa menor.

Economizar na entrada faz sentido quando voce nao tem reserva de emergencia completa, o dinheiro retido tem rendimento proximo a taxa do financiamento, voce planeja amortizar em etapas com FGTS e 13o salario ou quer investir em melhorias do imovel. R$ 30 mil em reforma na chegada as vezes faz mais diferenca de qualidade de vida do que R$ 30 mil a mais de entrada.

Para simular o efeito de amortizacoes extraordinarias ao longo do contrato, use a Calculadora de Amortizacao Extraordinaria. Veja tambem Amortizacao extraordinaria: reduzir prazo ou parcela.

Custos alem da entrada

Planejar entrada envolve mais do que o percentual minimo. Os custos acessorios somam entre 4% e 7% do valor do imovel no total:

  • ITBI (2% a 3% do valor do imovel, varia por municipio).
  • Escritura publica em cartorio de notas.
  • Registro no cartorio de imoveis.
  • Avaliacao exigida pelo banco.
  • Mudanca e primeiras despesas da casa nova.

Para imovel de R$ 500.000, esses valores somam R$ 20.000 a R$ 35.000 que precisam estar separados da entrada. Use a Calculadora de Custo Total de Aquisicao para somar tudo em uma tela. Leia tambem Todos os custos de comprar imovel e ITBI: o que e, quanto custa e como pagar.

Armadilhas comuns

Zerar a reserva para aumentar a entrada. E a pior decisao possivel. Comprar imovel sem reserva deixa a familia vulneravel a qualquer imprevisto (desemprego, saude, reforma urgente). Mantenha sempre 3 a 6 meses de despesas liquidas.

Ignorar o FGTS porque “e pouco”. Mesmo R$ 15 mil de FGTS fazem diferenca na aprovacao do credito e reduzem o valor financiado proporcionalmente. Some tudo o que tem.

Nao comparar bancos. Com mesma entrada, a taxa varia entre 9% e 12% ao ano dependendo da instituicao. Cote em ao menos tres bancos e na Caixa Economica Federal (referencia em financiamento habitacional). Veja Taxas de financiamento imobiliario 2026 por banco.

Dar entrada alta em imovel duvidoso. De nada adianta entrada de 40% se o imovel tem problemas de documentacao ou localizacao ruim. Antes de tudo, avalie o imovel.

Resumo pratico

  • Entrada minima legal no SFH-SAC e 20%, mas na pratica os bancos exigem de 25% a 30%.
  • Cada 5% adicional de entrada economiza de R$ 50 mil a R$ 80 mil em um financiamento tipico de R$ 500 mil.
  • Use FGTS para compor a entrada sempre que possivel.
  • Mantenha reserva de emergencia - nunca zere a poupanca para aumentar entrada.
  • Faixa ideal para a maioria dos perfis: 25% a 30% do valor do imovel, mais os custos de cartorio e ITBI separados.

Simule cenarios especificos com a Calculadora de Renda Minima e compare com seus numeros reais antes de fechar a operacao.

Perguntas Frequentes

E possivel financiar imovel sem entrada? Em regra, nao. O minimo legal no SFH-SAC e 20%, e nenhum banco grande oferece financiamento 100% para imoveis residenciais comuns. Em MCMV, ha subsidios que reduzem a entrada efetiva, mas nao a eliminam totalmente.

Posso usar dinheiro de parentes como entrada? Sim, mas a operacao pode ter implicacoes tributarias (ITCMD em caso de doacao acima do teto de isencao estadual). Algumas famílias formalizam o aporte como emprestimo ou o proprio doador entra como coobrigado. Consulte um contador para planejar.

O valor do FGTS pode cobrir 100% da entrada? Em muitos casos sim. Se o saldo do FGTS equivale ou supera 20% do valor do imovel, ele pode compor a entrada integralmente. A regra e que a entrada seja efetivamente paga ao vendedor (em dinheiro) ou transferida via operacao do banco que usa o saldo.

Entrada maior abate o IOF do financiamento? Nao. O IOF incide sobre o valor efetivamente financiado, entao uma entrada maior reduz o valor financiado e, proporcionalmente, o IOF cobrado. Nao e um desconto, mas sim uma reducao da base de calculo. Veja IOF no financiamento imobiliario.

A entrada e negociavel com o banco? O percentual minimo nao e negociavel (e definido por norma). Mas em algumas operacoes, bancos aceitam entrada parcelada entre assinatura da proposta e assinatura da escritura (30 a 90 dias). Cuidado com esse prazo - atrasar a entrada pode fazer o credito caducar.

Qual e a entrada tipica em Minha Casa Minha Vida? Varia por faixa. Famílias da Faixa 1 (ate R$ 2.850/mes) podem ter subsidio de ate R$ 47.500 que abate a entrada efetiva. Faixa 2 e 3 tem entradas maiores mas taxas mais baixas que o mercado convencional. Veja o guia completo MCMV 2026.

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